Arquivo da categoria ‘Opinião Própria’

Um Suplicy por todos

Agosto 25, 2009

Quando mais uma pizza parecia estar sendo servida, Eduardo Suplicy rouba a cena e representa toda a população indignada com a situação do senado e a presença de José Sarney.

Suplicy X Sarney

Suplicy X Sarney

Por Vinícius Lepore

Ontem o senador José Sarney resolveu proclamar para um plenário com cinco senadores seu retorno após o aparente fim da crise. Não falava desde a semana passada, quando foram arquivadas as 11 acusações contra ele no Conselho de É-T-I-C-A!
O movimento “Fora Sarney” já tomou as ruas das principais cidades do Brasil e movimenta a Internet. O Twitter /forasarney conta com 11,651 seguidores. O Orkut apresenta mais de 200 comunidades relacionadas ao termo. Entretanto, ninguém parecia poder chegar até ele e dizer isso. Nem o presidente Lula. Por quê? Estaríamos disfarçando uma ditadura com uma falsa idéia de democracia? Ou realmente a política e a ética evoluíram tanto que resultaram numa versão ditadora aonde, enquanto centenas de milhares de pessoas pedem explicações, uma velha raposa se fingia de surda enquanto homenageava Euclides da Cunha e Getúlio Vargas.

Sarney resolveu falar sobre Euclides da Cunha e Getulio Vargas.

Sarney resolveu falar sobre Euclides da Cunha e Getulio Vargas.

Além de escritor da obra “Os Sertões”, Euclides também era repórter. Se Sarney estaria agora o acusando de ‘campanha nazista’, não há como saber. Mas nenhum político deve se preocupar com a opinião de um intelectual influente, desde que este já esteja morto.

Eduardo Suplicy ocupava uma das cinco cadeiras utilizadas no plenário. Num total de 81 cadeiras presentes, três representando cada estado brasileiro, o paulista, petista e pai do Supla, não se contentou em aparecer. Leitor de Euclides da Cunha e formado na Faculdade Getúlio Vargas, Suplicy falou pelo povo.

José Sarney é senador pelo Amapá, apesar de ter nascido no Maranhão. Lá também se encontra o conglomerado Sistema Mirante de Comunicação. O ‘sistema’ é formado por três emissoras e dezenas de retransmissoras de televisão Rede Mirante (afiliadas à Rede Globo), seis emissoras de rádio, Rádio Mirante AMs e FMs e o jornal O Estado do Maranhão.

O site do jornal da família do ex-presidente da República fica hospedado na página da Globo. Não é possível ler nenhuma das matérias em destaque no dia, como “Vargas e Euclides da Cunha homenageados”: somente assinantes tem acesso ao conteúdo dá página. Há informações sobre o público leitor do caderno de política: “50% pertencem às classes A/B e 14% têm renda superior a 20 salários mínimos”. O índice de analfabetismo no Maranhão é de 22,8% .
Suplicy disse ‘Fora Sarney!’ com a categoria de quem prefere ouvir Bob Dylan a controlar rádios. Interrompeu o discurso do intocável e falou pelos cidadãos.”Senador José Sarney, a situação do Senado Federal não está tranqüila, não está resolvida. As pessoas desejam um esclarecimento mais cabal, que as dúvidas sejam esclarecidas. A solução não está bem resolvida. O arquivamento das representações não significou que nós tenhamos resolvidos os problemas do Senado”.

Falou muito mais. Sem se importar em não ter ao seu lado o presidente da República, nem líderes do seu partido. Nem de outros partidos. Nenhuma voz, além da sua própria voz, disse na cara de Sarney aquilo que o país queria, com as palavras que nenhum outro político ousou dizer.

Sarney ainda se viu no direito de ofender-se por Suplicy tê-lo interrompido. “Tomado por tamanha visão política Vossa Excelência deixa de respeitar as regras mais comezinhas do dia a dia da Casa”.
Eduardo Suplicy é o único homem a ter a lucidez de representar o povo sabendo que esta é a função de um senador. Sem ter medos de rixas ou quebras de acordos. Secretos ou não. Bastou a verdade numa linguagem mais simples, sem recorrer a Euclides da Cunha ou a Bob Dylan, para dar uma esperança a população.

Depois da lição de casa…

Março 19, 2008

A idéia de criar um blog para falar especificamente sobre musica me passou pela cabeça logo depois que entendi o que era um ‘blog’… De lá para cá, tive alguns, mas nunca me senti preparado o suficiente para escrever matérias que tivessem argumentos, os quais ainda não acreditava poder ter, tanto pela minha idade – a essa altura estamos falando dos meus 14, 15 anos… – quanto pela minha imaturidade musical.

Agora, depois de ouvir muitos discos que sempre achei obrigatórios na vida de qualquer pessoa – e quem me disse isso foram exatamente as pessoas que me inspiraram anos atrás a escrever sobre o assunto – , ler muito sobre esses mesmos discos (muitas vezes beber  quem os fazia…), conversar com quem escrevia esse material, ver shows de grandes bandas grandes e grandes bandas pequenas, nacionais e internacionais, me sinto minimamente preparado para colocar algumas linhas na internet sem me sentir intimidado ou duvidando da qualidade do que escrevo; não como escritor, mas como leitor.

Percebi a pouco tempo o tema deste blog que estou criando: estou tentando mostrar que a musica que eu tanto adoro e dedico tantas horas de meus dias e minhas noites está em todo lugar. Basta querer ouvir.

 Espero que aqueles que vierem a ler os textos aprendam tanto quanto eu enquanto os escrevo.

Vinícius Lepore